Gengiva inflamada e sangrando: o que significa e como tratar de verdade
Publicado em 9 min de leituraPor Aretè Odontologia
Gengiva saudável é firme, rosada e não sangra — nem ao escovar, nem ao usar fio dental. Quando o sangramento aparece, ele é um sinal de inflamação, e ignorá-lo é o caminho mais comum para a perda óssea e, no limite, a perda de dentes.
A boa notícia é que a fase inicial é totalmente reversível. Este guia da Aretè Odontologia, na Aclimação, em São Paulo, explica o que causa a inflamação, como diferenciar gengivite de periodontite e o que o tratamento envolve em cada estágio.
Por que a gengiva inflama
A causa principal é o biofilme dental — a placa bacteriana que se forma continuamente sobre os dentes. Quando não é removida diariamente, ela amadurece, provoca resposta inflamatória e, em cerca de 48 a 72 horas, começa a se mineralizar e virar tártaro, que já não sai com escova.
Existem fatores que aceleram esse processo, e é por isso que duas pessoas com a mesma higiene podem ter respostas diferentes.
- Higiene insuficiente, principalmente ausência de fio dental
- Tártaro acumulado acima e abaixo da gengiva
- Tabagismo, que mascara o sangramento e piora o prognóstico
- Diabetes descompensado
- Gravidez e alterações hormonais
- Restaurações mal adaptadas e aparelhos ortodônticos
- Respiração bucal e boca seca
Gengivite ou periodontite: qual é a diferença
Gengivite é a inflamação restrita à gengiva. Não há perda de osso e, com tratamento e higiene adequada, a recuperação é completa. Periodontite é o estágio em que a inflamação atinge o osso e o ligamento que sustentam o dente — o osso perdido não se regenera espontaneamente.
Por isso o tempo importa tanto: tratar cedo é simples e barato; tratar tarde é longo e caro.
| Característica | Gengivite | Periodontite |
|---|---|---|
| Sangramento | Sim, ao escovar ou usar fio | Sim, muitas vezes espontâneo |
| Perda óssea | Não | Sim, visível em radiografia |
| Mobilidade dental | Ausente | Pode ocorrer em estágios avançados |
| Mau hálito | Ocasional | Frequente e persistente |
| Reversibilidade | Total com tratamento | Estabilização, sem retorno do osso perdido |
Sinais de alerta que pedem avaliação rápida
Alguns achados indicam que o quadro já passou da fase inicial e precisa de exame periodontal completo, com sondagem e radiografias.
- Gengiva que retraiu e deixou a raiz exposta
- Dentes que parecem mais longos ou que mudaram de posição
- Mobilidade ou sensação de dente 'solto'
- Mau hálito persistente mesmo após escovar
- Pus ou abscesso na gengiva
- Dor ao mastigar em uma região específica
Como é o tratamento
Na gengivite, o tratamento é a remoção profissional do biofilme e do tártaro, associada à correção da técnica de higiene. Em geral a gengiva volta ao normal em uma a duas semanas de cuidado consistente.
Na periodontite, é necessária a raspagem subgengival — limpeza abaixo da margem da gengiva, por quadrantes, com anestesia quando indicado —, seguida de reavaliação. Casos com bolsas profundas podem exigir procedimentos cirúrgicos e acompanhamento periódico permanente, geralmente a cada três ou quatro meses.
Vale um alerta importante para quem busca estética: clareamento, facetas e resinas não devem ser feitos com gengiva inflamada. Além do risco, a margem da gengiva muda de posição quando a inflamação regride, o que compromete o resultado estético.
Rotina em casa que muda o quadro
A limpeza profissional zera o acúmulo; o que mantém o resultado é o que você faz todos os dias. E o ponto crítico quase sempre é o mesmo: a região entre os dentes, onde a escova não alcança.
- Fio dental uma vez ao dia, contornando cada dente em C
- Escova macia, duas a três vezes ao dia, inclinada em direção à gengiva
- Escova interdental quando houver espaço, sob orientação
- Limpeza da língua, que reduz mau hálito
- Parar de fumar: é o fator isolado que mais melhora o prognóstico
- Controle do diabetes em conjunto com o médico